Peças pesando toneladas desapareceram de cartão-postal do Recife.

Torre de Cristal faz parte do Parque das Esculturas, idealizado por Francisco Brennand e alvo de saques — Foto: Reprodução/TV Globo

Inaugurado em 2000 em comemoração aos 500 anos do Brasil, o Parque das Esculturas idealizado por Francisco Brennand, artista que morreu em 2019, tornou-se um dos cartões-postais do Recife. Vinte anos depois, muitas das obras, algumas pesando toneladas, desapareceram e as autoridades não sabem dizer quem foi.

Para quem depende de levar turistas ao local, o sentimento é de desalento. O barqueiro Deivson Vasconcelos herdou a profissão do avô e, há seis anos, faz a travessia entre o Marco Zero e o parque.

“A gente fica sem saber o que falar [quando os visitantes perguntam o que aconteceu], a gente fica até com vergonha. Está um descaso”, afirmou.

 Barqueiro há seis anos, Deivson Vasconcelos herdou a profissão do avô e lamentou os saques das obras do Parque das Esculturas, no Recife — Foto: Reprodução/TV Globo

 

Das peças levadas, ficaram lembranças para o barqueiro. “Tinham as garças aqui, tinham os patos. Começaram a sumir os patos e os ovos de bronze. Tinham umas tartarugas. Começaram logo a sumir essas peças. Depois, foi passando. Começou a sumir partes da serpente, ela foi encolhendo”, recordou.

A serpente marinha citada foi criada por Francisco Brennand e esculpida em bronze pelo artista Jobson Figueiredo, com mais de 20 metros de comprimento. Ela foi saqueada neste mês de dezembro. "Eram 86 esculturas de bronze, fora uma série de esculturas em cerâmica do Francisco", recordou Jobson.

 

Barqueiros contaram que, em uma das vezes que levaram alguma parte da serpente, os criminosos chegaram e saíram do local de barco. “Não são os nossos barcos. Nós nunca faríamos um negócio desses com nosso ganha pão”, afirmou o Gilvan Rodrigues, que trabalha há cinco anos no local fazendo a travessia de turistas.

 

Entre as peças levadas do local estão também os portões de bronze da Torre de Cristal. Os objetos, segundo Rodrigues, foram levados em plena luz do dia.

“O camarada chegou com um caminhão, com tudo que era de ferro e arrancou ali, a olho nu, para todo mundo ver. Nós estávamos ali do outro lado, todo mundo vendo. A gente enxergou o roubo, mas pensava que era alguém para fazer manutenção”, relatou Rodrigues.

 Serpente foi retirada do Parque das Esculturas, no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

Presente para o Recife

Em entrevista na inauguração do espaço, Brennand contou ter doado ao menos 51 das esculturas que fariam parte do parque.

"Francisco Brennand fazia parte de uma rede de intelectuais e de artistas muito importante, né? [...] Estava inserido dentro de coletivos que tinham diversas gerações de artistas do modernismo, da arte contemporânea. Ele era um produtor de arte num campo coletivo", afirmou o historiador José Brito.

Severino Gomes trabalhou na fundição e instalação das obras no Parque das Esculturas. Algumas das peças que sumiram, contou ele, precisaram ser carregadas por quatro homens na época. "Eram pesadas grande justamente para evitar roubo", explicou Gomes.

 

A prefeitura do Recife, responsável pelo local, informou que a Secretaria de Turismo, Esportes e Lazer (Seturel) fez o levantamento das obras que foram furtadas do Parque das Esculturas e acionou a Secretaria de Defesa Social para que o caso seja investigado e a segurança do Parque reforçada. Além disso, apontou, faz a vigilância do local a partir de uma câmera instalada no Marco Zero.

O estado, responsável pelo policiamento, garantiu que está investigando o caso e que apresentará o resultado do trabalho no momento oportuno.

 

 

Fonte: noticia reproduzida pelo G1-PE

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